domingo, 15 de abril de 2012

Soneto do coração


Meu coração agora não passa de um coágulo de sangue...
Um órgão da anatomia humana
Com a simples função de bombear sangue
Para tudo acabar em cicatrizes de mágoas...

A racionalização da alma de um doente
Clamando por emoções moribundas...
Cinzas confortam mais que rosas
Enquanto as maçãs apodrecem...

Corpos entrelaçados por um falso Amor...
Sem perceber que tudo acaba em morte
Deixamos-nos levar pelo veneno inebriante...

A morte é a única fidelidade que temos
O sangue está envenenado e envelhecido
Até que tudo termine em cinzas...



Alann Macumba
 

-O sol não nasce para todos-


Eu tento falar algo
Algo que não seja vazio
Eu tento sentir algo
Algo que não seja em vão

Olhei nos olhos da morte
Mas nem ela quis minha companhia
A doçura mecânica dela
Feriu minha couraça de papel

Eu tento fazer algo
Algo que seja reconhecido
Eu tento sonhar algo
Algo que não seja só ilusão

Olhei nos campos floridos
Mas as flores já estavam mortas
E as arvores cheiravam a sangue

Eu tentei ver um mundo melhor
Mas o sol não nasce para todos....



Alann macumba

Faminto Sentimento




Esse sentimento, o amor
Maldito sentimento
Devorou todo o meu ser
Minha identidade e minha existência

Esse sentimento, o amor
Faminto sentimento
Devorou minhas gravatas
Meus ternos e todas as revistas

O amor
Que devorou todas as minhas doenças
E também as prescrições médicas
E medicamentos

Sentimento esse que não se contentou
Em roer minha infância e retornou
Para devorar os papéis amarelados
Nos quais eu já havia escrito  meu nome

Devorou minha noite,
Meu dia
Meu inverno, meu verão
Devorou meu medo da vida
E ainda mastiga o meu medo da morte.


Alann macumba

Eu ainda me lembro...





Ouço o silencio que emana de você
Seus amores inventados
Sua máscara já caiu
Eu te idolatrava...

Eu ainda me lembro...
Você tinha o brilho das estrelas em teus olhos
A poesia em teu corpo
Labirintos de prazeres em teus lábios

Mas porque você olharia pra mim?

Sou apenas um amante da morte...
Um interprete do nada
Um poeta do desprezo
Um manequim da depressão

Eu ainda me lembro...
Você tinha toda aquela perfeição imperfeita
Seus versos eram mentiras
E suas rimas eram sempre vazias

Mas porque você se importaria comigo?

Sempre procurei o sangue no vinho...
A morte no cigarro
A dor no prazer
A solidão na liberdade

Ouço seus gritos em meu coração
Seus pedidos de perdão
O leite já foi derramado
Eu te adorava...

Eu ainda me lembro...

Mas porque você se importaria com isso...?



Alann Macumba.